A avaliação da aprendizagem no ensino superior

21/08/2012

A avaliação da aprendizagem no ensino superior

Por: Adriana Lima Abreu

A necessidade de avaliar sempre se fará presente, não importando a norma ou padrão pela qual está baseado o modelo educacional. Não há como fugir da necessidade de avaliação de conhecimentos, desde a educação básica até o último grau de ensino. Dessa forma, a avaliação no ensino superior ocupa um espaço importante nos debates atuais sobre educação. Todavia, percebe-se que a avaliação, comprometida com as práticas inovadoras reveste-se de uma necessidade constante de revisão do fazer pedagógico.

INTRODUÇÃO

Desde os tempos primórdios, a Avaliação está presente na vida da humanidade, acompanhando sua evolução, onde cabe ao professor reconhecer as diferenças na capacidade de aprender dos alunos, para poder ajudá-los a superar suas dificuldades e avançar na aprendizagem.

Os métodos de avaliação ocupam, sem dúvida, espaço relevante no conjunto das práticas pedagógicas aplicadas aos processos de ensino e aprendizagem. Pensar a educação superior na perspectiva da avaliação da aprendizagem pressupõe definir os valores e conhecimentos a serem desenvolvidos, entrevendo sua relação com o Projeto Político Institucional.

O aluno do ensino superior traz as marcas, positivas ou negativas de avaliações anteriores e muitas vezes, deparara-se com práticas avaliativas autoritárias em sala de aula de aula universitária.

Vê-se no meio acadêmico uma crescente busca dos educadores em realizar uma prática diferenciada de avaliação. Contudo, os caminhos ainda não estão claros, ou não apresentam consonância com toda a Unidade Acadêmica. Na universidade, tal relevância assume proporções ainda mais críticas, uma vez que as expectativas em torno do graduando – dele próprio e da sociedade como um todo – são elevadas e múltiplas: aguarda-se o homem culto, o profissional competente, enfim, o indivíduo capacitado à resolução de problemas pertinentes a uma ou mais áreas de conhecimento, não levando em consideração as diferentes formas de avaliação tradicionais que ele obteve desde os primeiros anos escolares.

Contudo é preciso ter claro que avaliar não se resume à mecânica do conceito formal e estatístico; não é, simplesmente, atribuir notas, obrigatórias à decisão de avanço ou retenção em determinada disciplina. Devem representar as avaliações aqueles instrumentos imprescindíveis à verificação do aprendizado efetivamente realizado pelo aluno, fornecendo subsídios ao trabalho docente, direcionando o esforço empreendido no processo de ensino e aprendizagem de forma a contemplar a melhor abordagem pedagógica e o mais pertinente método didático adequados à disciplina.

DEFINIÇÕES DOS OBJETIVOS DA AVALIAÇÃO

O contexto avaliativo é sem dúvida uma construção coletiva que depende do encontro ou não de uma série de fatores, situações ou objetivos. Caracterizar a culpa do modelo sobre uma ou outra corrente de ação é minimizar a questão a um nível que pode individualizar sem considerar as relações existentes com o meio de formação escolar e social as possíveis soluções, enquanto busca-se o oposto, ou seja, uma fórmula de avaliação que contemple a participação ativa de todos os implicados, conforme o que nos diz Hoffmann (1998, p.9) “uma ação mediadora não promove o diálogo a relação no trabalho pedagógico, ela é um processo interativo, dialógico, existente enquanto relação, enquanto confluência de idéias e vivências”.

Levando em consideração algumas definições de avaliação, percebem-se os aspectos amplos que permeiam a questão. No conceito emitido por Sant’anna (1995, p. 7),

A avaliação escolar é o termômetro que permite avaliar o estado em que se encontram os elementos envolvidos no contexto. Ela tem um papel altamente significativo na educação, tanto que nos arriscamos a dizer que a avaliação é alma do processo educacional. (…) O que queremos é sugerir meios e modos de tornar a avaliação mais justa, mais digna e humana.

Nesse contexto, há necessidade de referenciais que sejam claros no processo avaliativo, não podendo se limitar à verificação da aprendizagem de conteúdos ou atividades, usando-se tão somente os instrumentos de provas e notas, embora façam parte desse processo. Por isso, a avaliação deve contemplar uma concepção mais ampla, uma vez que envolve formação de juízos e apreciação de aspectos qualitativos. Essa deve ser compreendida como uma ação reflexiva do processo da aprendizagem, pois é um instrumento essencial no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo. No sistema educacional, a avaliação deve acontecer de forma organizada e planejada de acordo com as normas que regem o Sistema de Ensino.

Segundo Hoffmann (2002), avaliar nesse novo paradigma é dinamizar oportunidades de ação- reflexão, num acompanhamento permanente do professor e este deve propiciar ao aluno em seu processo de aprendizagem, reflexões acerca do mundo, formando seres críticos libertários e participativos na construção de verdades formuladas e reformuladas.

Pode-se dizer, então, que não há avaliação, sem que antes tenha havido verificação, ou seja, verifica-se antes de avaliar.

Bloom, Hastings e Madaus (1975) esclarecem que a avaliação pode ser considerada como um método de adquirir e processar evidências necessárias para melhorar o ensino e a aprendizagem, incluindo uma grande variedade de evidências que vão além do usual de ‘papel e lápis’. É, ainda, segundo os mesmos autores, um auxílio para clarificar os objetivos significativos e as metas educacionais, um processo para determinar em que medida os alunos estão se desenvolvendo dos modos desejados, um sistema de controle da qualidade, pelo qual pode ser determinada, etapa por etapa do processo ensino-aprendizagem, a efetividade ou não do processo e, em caso negativo, que mudanças devem ser feitas para garantir sua efetividade. Pode ser considerada a avaliação, também, um instrumental da prática educacional para verificar se procedimentos alternativos são ou não igualmente efetivos ao alcance de um conjunto de fins educacionais, envolvendo uma coleta sistemática de dados, por meio dos quais se determinam as mudanças que ocorreram no comportamento do aluno, em função dos objetivos educacionais e em que medida estas mudanças ocorrem.

FUNÇÕES DO PROCESSO AVALIATIVO E A RELEVÂNCIA DA QUALIDADE

A importância da avaliação bem como os seus procedimentos têm variado no decorrer dos tempos, sofrendo a influência da valorização que se acentuam em cada época, e do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Atualmente, considera-se a avaliação um dos resultados do ensino-aprendizagem. A avaliação da aprendizagem é uma questão político-pedagógico e deve sempre contemplar as concepções filosóficas de homem, de educação e de sociedade, o que implica em uma reflexão crítica e contínua da prática pedagógica da escola e sua função social.

A LDB (Lei 9394/96) exige aos sistemas de ensino, sejam públicos ou particulares, que efetivem um processo avaliativo contínuo e qualitativo, mediador, em escolas e universidades. O que havia de fato, até o presente, era uma falta de acompanhamento do processo de aprendizagem dos alunos e muito menos com o sentido de prevenir as dificuldades surgidas, observando-os, refletindo sobre a natureza de suas manifestações, replanejando e tomando decisões de caráter puramente pedagógico, tendo-se por base os resultados dos testes e tarefas realizadas. Como conseqüência, a LDB vem tornar obrigatoriedade aquilo que deveria ter sido buscado como meta, já há tempo, tão somente pela sensibilidade dos envolvidos no processo escolar como um todo ou pelas exigências e pressões inerentes a esse processo ou modelo escolar. Nesse sentido, Hoffmann (2002), nos diz: “a prática avaliativa não irá mudar em nossas escolas em decorrência de leis, resoluções, decretos ou regimentos escolares, mas à partir do compromisso dos educadores com a realidade social que enfrentamos”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A avaliação escolar é sem dúvida de suma importância, uma vez que, é potencialmente o instrumento a ser usado na construção ou no pleno desenvolvimento do modelo de atuação escolar. É claro que isso só vai acontecer se a avaliação for conduzida com caráter reflexivo e, na medida em que sirva para identificar as carências apresentadas pelos alunos, no decorrer do período letivo. Serve também para auxiliar o professor nas possíveis modificações dos métodos de ensino, para que favoreçam o desenvolvimento necessário ao alcance pleno dos objetivos planejados.

É oportuno salientar que uma possível visão voltada aos aspectos qualitativos e orientadores da avaliação deveria iniciar-se desde o primeiro ano no ensino superior, proporcionando, desde cedo aos alunos, a necessária oportunidade de adaptação ao método. Avaliações de qualidade, oportunas e orientadoras são auxiliares legítimas da construção do conhecimento em aspecto amplo, não apenas dos conteúdos propriamente ditos, como também de posturas e atitudes. São necessárias avaliações capazes de proporcionar melhorias naquilo que se pretende ensinar, a ponto de se poder concluir, quase que unanimemente, que, sem dúvida, uma das mais importantes funções da avaliação é fornecer subsídios para o aperfeiçoamento do ensino.

Com efeito, a prática instalada por tantos anos de avaliação por notas somente, dificilmente irá modificar-se por força exclusiva de uma lei. É preciso que se possa mudar inclusive alguns conceitos ou padrões correlatos, passando pela melhor formação profissional do educador e, mesmo para aqueles conceitos produzidos ou fomentados a nível social.

A leitura dos conceitos até aqui elencados ressalta, nas diversas abordagens, um ponto de concordância destacado: os mecanismos avaliativos devem pretender verificar, principalmente, a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, mostrando as dificuldades dos alunos e reorientando o trabalho do professor. Não se trata de descartar, portanto, o aspecto quantidade do processo, mas de proporcionar uma sintonia entre os aspectos qualitativo e quantitativo. O que se pode verificar mais constantemente na avaliação dos estudantes do ensino superior nos dias atuais é uma valorização excessiva do aspecto quantitativo, em detrimento da verificação da qualidade do que é ensinado e aprendido. No entanto, não se faz necessária a exclusão da avaliação quantitativa, mas acrescentar a qualitativa, representada pelo emprego de avaliações formativas. A partir daí, busca-se evitar, que o aluno transforme-se em um mero copiador, um depósito de conteúdos e transforme-se num ser pensante, crítico e reflexivo.

É fundamental que se tenha uma visão sobre o aluno como um ser social e político, capaz de atos e fatos, dotado de experiências e em conformidade com o senso crítico, sujeito de seu próprio desenvolvimento.

Somente uma avaliação levada a termo de forma adequada, é capaz de favorecer o desenvolvimento crítico pleno ou a construção perfeita da autonomia.

REFERÊNCIAS

GIMENO SACRISTÀN, J. El curriculum: una reflexión sobre la práctica. 5ª ed. Madri : Morata, 1995.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora: Uma Prática em Construção da Pré-Escola à Universidade. Porto Alegre : Mediação, 1998.

___________Avaliar para promover: as setas do caminho. Porto Alegre: Mediação, 2002.

MIRAS, M., SOLÉ, I. A Evolução da Aprendizagem e a Evolução do Processo de Ensino e Aprendizagem in COLL, C., PALACIOS, J., MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: ArtMed, 1999

SANT’ANNA, Ilza Martins. Por que Avaliar? Como Avaliar?: Critérios e Instrumentos. Petrópolis : Vozes, 1995.

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Adriana Lima Abreu – Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia. Pós-Graduada em Direito Educacional e Gestão Escolar pela mesma Universidade. Discente do Mestrado Ciência da Educação, pela Universidade Intercontinental Tecnológica – UTIC.

Judite Filgueira Rodrigues – Docente/Orientadora – UTIC

Transportado de http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-avaliacao-aprendizagem-no-ensino-superior.htm


AVALIAÇÃO NO PROCESSO ENSINO – APRENDIZAGEM (artigo interessante de Elaine Aparecida Petrin)

21/08/2012

AVALIAÇÃO NO PROCESSO ENSINO – APRENDIZAGEM

Elaine Aparecida Petrin

elaine.petrin@gmail.com

 

 No presente  artigo pretendo expor algumas considerações sobre a avaliação no contexto do processo ensino-aprendizagem, observando qual é o seu papel no desenvolvimento do trabalho escolar e quais as suas possibilidades de aplicação junto ao educador. Para que avaliar, o que avaliar e como avaliar devem ser reflexões contínuas no cotidiano do educador, para que este não perca o seu objetivo principal, o bom desempenho do aluno.

Para entendermos melhor o que a avaliação significa no processo ensino-aprendizagem, precisamos rever alguns conceitos e, a partir daí, compreender sua real função.

Do ponto de vista da avaliação do rendimento escolar do aluno, a LDB em seu artigo 24, V, afirma que a avaliação do trabalho escolar será contínua e cumulativa, devendo ser dada prioridade para os aspectos qualitativos, devendo, ainda prevalecer o desempenho do aluno ao longo do ano sobre o de uma eventual prova final. A avaliação refere-se tanto ao que e o como o aluno está aprendendo, mas também à necessária revisão dos elementos que constituem a prática docente, tanto no âmbito da aula como no da própria escola.

Ela desempenha três papéis: diagnóstica, formativa e classificatória. Na perspectiva do planejamento curricular e de ensino, as três funções são importantes e devem ser levadas em conta no planejamento escolar. Com relação ao planejamento das atividades educativas, a avaliação diagnóstica é o ponto de partida, pois é ela que define as necessidades a satisfazer, diagnostica os problemas que impedem que estas necessidades sejam satisfeitas. Já avaliação formativa é aquela que busca entender como se está desenvolvendo o processo ensino-aprendizagem, fornecendo elementos para corrigir rumos e orientar o estudante em relação ao seu aprendizado. Quanto à avaliação classificatória, não há nenhum mal em se quantificar certos resultados obtidos junto aos alunos, o que não é correto é valer-se apenas dessas informações.

Para iniciar uma avaliação do rendimento escolar que traduza na prática o compromisso da escola com o desenvolvimento do aluno, três questões devem orientar o trabalho docente: Para que avaliar? O que avaliar? Como avaliar?

A avaliação do aluno em sala de aula tem como propósito promover o aperfeiçoamento do ensino que vem sendo oferecido. Avalia-se para identificar necessidades e prioridades, situar o próprio professor e o aluno no percurso escolar. Para Prado (1997, p.144), se a avaliação do rendimento escolar tem como função a análise e a proposição de encaminhamentos pedagógicos para que os objetivos do ensino sejam atingidos, seu processo final culmina não na aprovação ou reprovação, mas em prescrições pedagógicas que possam tornar o ensino mais efetivo.

Analisando o seu curso, as aprendizagens que prioriza e o tipo de ensino que pretende desenvolver é que o professor define o que irá avaliar. É a clareza de seus objetivos, do significado da sua disciplina na formação do aluno e dos propósitos do projeto da escola que permitirão ao professor definir procedimentos de avaliação que permitam aos alunos e a ele próprio ter uma gestão dos erros e do processo de superação. Definir o que avaliar conduz o professor a refletir sobre o ensino que pretende desenvolver e as dificuldades que terá que enfrentar para alcançar os propósitos esperados. Exige do professor muita clareza sobre a formação pretendida de seus alunos. É a partir do planejamento que realizou para promover o processo de ensino-aprendizagem , ou seja, da seleção das competências e conhecimentos que priorizou e das estratégias que escolheu para desenvolver, que o professor irá esclarecer o que avaliar.

Avaliar não é medir, avaliar envolve o levantamento de informações sobre a aprendizagem dos alunos que devem ser analisadas, considerando os critérios e objetivos do plano de ensino, e inclui também o processo de tomada de decisões. Analisar como vou avaliar implica estabelecer como vou permitir que os dados levantados permitam autoconhecimento do aluno e o diagnóstico do ensino oferecido. A avaliação, ao possibilitar o diagnóstico do ensino oferecido pelo professor e do desempenho do aluno, pode ser formadora quando os resultados possibilitarem também uma reflexão sobre a prática que estamos desenvolvendo, ou seja, quando os resultados obtidos pelos alunos permitirem ao professor analisar a sua participação na aquisição da aprendizagem e identificar quais as estratégias mais efetivas e as que precisam ser revistas, que processos de aprendizagem os alunos estão construindo, quais as dificuldades que o próprio professor enfrenta. Desenvolver uma avaliação formadora significa realizar um processo não fragmentado, não punitivo e orientado por princípios éticos. Comprometida com a transformação social, essa prática educativa reconhece o papel da educação nessa transformação, prioriza a análise do pensamento crítico do aluno e focaliza sua capacidade de solucionar problemas reais. Não se pode esquecer que neste tipo de avaliação é fundamental que o resultado sempre seja devolvido e analisado com o aluno.

Atualmente, fala-se muito em práticas de avaliação numa perspectiva emancipatória, a qual tende a assegurar nas instituições o caráter educativo da avaliação, isto é, avaliação como meio de revisão das ações do professor, suas práticas de ensino e interação com os alunos, de modo que o próprio professor tome decisões com maior conhecimento de causa. A avaliação torna-se mais compreensiva quanto ao processo de ensino e aprendizagem, é mais democrática, sendo que os resultados obtidos são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar, e busca ainda uma auto-avaliação, mediante um processo reflexivo de planejamento-observação, análise-reflexão.

Conclui-se, então, que o professor deixa de ter papel dominante no processo avaliativo, passando a ser um investigador que busca sempre melhores resultados, utilizando critérios mais relevantes centrados em dimensões qualitativas e quantitativas, proporcionando melhor qualidade da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais.

Sobre o Autor

 

Elaine A. Petrin possui formação em Magistério pelo CEFAM – SP, é Graduada em Letras Português/Inglês pela Universidade de Sorocaba – Uniso, também licenciada em Pedagogia pela FAC São Roque e Pós-Graduada em Gestão Educacional pela Universidade Castelo Branco – UCB.

 

 


Violência Doméstica Contra a Mulher, Relações Homoafetivas e Homofobia

17/06/2009

Violência doméstica

Em meio aos eventos que marcam a luta pela aceitação da diversidade sexual, do combate à homofobia e da luta pela tutela legal às novas formas de famílias, aproveito para mais uma vez lembrar a forma mais cruel, comum e democratica de violência contra a família que é a violência contra a mulher. Para tanto lembramos a luta de Maria da Penha , que por sua luta por justiça expôs toda a fragilidade das conquistas das mulheres num país onde a sociedade é machista e considera os direitos da Mulher ,entre outros , material de campanha de civilidade e desenvolvimento humano e desde que aplicada apenas em estudos acadêmicos, especialmente para o público externo . A realidade , lá de casa é outra , lá quem manda sou eu e bobeou leva, além disso, no fundo ela gosta .

A violência doméstica não é um fenômeno brasileiro , é mundial e independe de classe social , de cor ou de “raça” – se estas existissem . O agressor pode ser rico ou pobre , culto ou ignorante , em comum mesmo apenas a falta de caráter , a violência , o ranço machista , a pobreza de espírito e a certeza , até a pouco , da impunidade além da mais especial de todas as características que os unem , a covardia .
Maria da Penha Maia foi vítima de um desses “homens”, foi agredida pelo marido durante seis anos , que não satisfeito com a violência das surras , espancamentos e maus-tratos , por duas vezes ele tentou matá-la , uma com arma de fogo deixando-a paraplégica e em nova tentativa usou o método da eletrocussão associado a afogamento . O marido de Maria da Penha , apesar do sua sofisticação assassina só foi punido depois de 19 anos de luta e mesmo condenado ficou apenas dois anos em regime fechado por deficiências legislativas .
Infelizmente muitas são as “Marias” como a da Penha , diariamente dezenas de brasileiras são cruelmente espancadas , humilhadas , exploradas , torturadas em suas próprias casas por aqueles a quem dá e deveria esperar amor e carinho . São maridos , filhos, companheiros , enteados que até pouco tempo atrás , nos raros casos que acabavam na delegacia pagariam algumas cestas básicas e voltariam a aterrorizar suas vítimas . Ou em casos extremos como o acima pegariam penas bastante brandas em relação aos horrores cometidos .

Coação , abuso de poder econômico , cárcere privado , uso dos filhos como instrumento de subjugo, estupro, sevícias diversas , agressões e as mais diversas torturas caracterizam o “modus operandi” (forma de agir) destes criminosos covardes .

Na delegacia , quando lá chegavam , as vítimas , muitas vezes , salvo honrosas exceções como as delegacias especializadas e algumas outras com orientação sensível à situação das vítimas , recebiam pouco caso , desdém e quem sabe até um “vai pra casa dona Maria” ou ainda quando instaurado o procedimento cabia por vezes a própria vítima a tarefa de entregar a notificação ou intimação ao agressor . Faltavam instrumentos legais , boa vontade e por vezes bom senso .

Para corrigir esta lacuna na legislação e dar instrumentos de efetividade para a punição destes criminosos , nasceu a Lei batizada como “Lei Maria da Penha” em homenagem ao sofrimento desta mulher , uma lei específica para prender e punir esses “homens” que determina procedimentos policiais e judiciais , através do estabelecimento normas processuais , readequação de penas para estes crimes com a sujeição do agente agressor a penas mais elevadas privativas de liberdade bem como prevê uma série de dispositivos visando proteger a pessoa da vítima e de seus filhos do agressor.

Resumidamente , essa lei altera o Código Penal brasileiro e possibilita que agressores de mulheres no âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada . Determina o fim das cestas básicas , ou seja , estes criminosos não poderão mais serem punidos com penas alternativas . A legislação também aumenta o tempo máximo de detenção previsto de um para três anos, além de prever a aplicação pelo Juiz de medidas que vão desde a determinação da saída do agressor do domicílio até a proibição de sua aproximação da mulher agredida e de seus filhos entre outras medidas protetivas , inclusive com a possibilidade de estipulação de alimentos provisórios . Além de regulamentar desde os procedimentos de assistência as vítimas de violência doméstica até procedimentos de atendimento destes casos pela autoridade policial quando acionada .
Se ainda muito há de ser feito , este é um começo bem promissor para estancar ou minimizar esse “Câncer” social que é a violência domésticas em todas as suas formas . Finalmente os criminosos serão tratados como criminosos e serão punidos com penas proporcionais aos crimes cometidos .
Assim  todas as “Marias” e em especial àquelas que tiveram coragem de denunciar e buscaram justiça e punição dos seus algozes alcançaram uma legislação protetiva esperamos que também as relações homoafetivas sejam finalmente regulamentadas e os crimes de homofobia sejam criminalizados.
A sociedade por tanto tempo insensível a violência contra a mulher, e quase conivente por sua omissão, cabe saber que assim como a violência doméstica contra a mulher, a prática da homofobia é crime e deve ser denunciada e punida. Suas vítimas devem exigir a sua criminilização e providências assistenciais e protetivas devem ser exigidas das autoridades . Só assim a igualdade entre os seres humanos será efetiva e no futuro nossas crianças poderão viver livres destas chagas sociais .


Advogado também é gente!!!!!!!Acredite…………e aprenda a usar………rssssssssssssss

19/03/2009

MANUAL BÁSICO DE COMO UTILIZAR UM ADVOGADO

COISAS QUE O CLIENTE PRECISA SABER:

1 – ADVOGADO dorme. Pode parecer mentira, mas ADVOGADO precisa dormir
como qualquer outra pessoa. Não o acorde sem necessidade! Esqueça que ele
tem telefone em casa, ligue para o escritório.

2 – ADVOGADO come. Parece inacreditável, mas é verdade. ADVOGADO também
precisa se alimentar, e, às vezes, tem hora para isso.

3 – ADVOGADO pode ter família. Essa é a mais incrível de todas: mesmo
sendo um ADVOGADO, a pessoa precisa descansar no final de semana para poder
dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar sobre
processos, reuniões, audiências, etc…

4 – Ler e estudar são trabalho. E trabalho sério. Pode parar de rir. Não
é piada!

5 – Não é possível examinar processos pelo telefone. (Precisa comentar?)

6 – De uma vez por todas, vale reforçar: ADVOGADO não é vidente, não joga
tarô e nem tem bola de cristal. Ele precisa examinar os processos muitas
vezes para maturá-lo e poder superar as dificuldades. Se quer um milagre,
tente na macumba e deixe o pobre do ADVOGADO em paz.

7 – Em reuniões de amigos ou festas de família, o ADVOGADO deixa de ser
ADVOGADO e reassume sua posição de amigo ou parente, exatamente como era
antes de passar no vestibular e, após, no Exame de Ordem. Não peça
conselhos sobre como recuperar dinheiro emprestado, interditar a sogra,
ajuizar ação de alimentos, intuir resultados de processo, e não cometa o
pior, ou seja, não peça dicas de condutas jurídicas a serem tomadas, após
ampla exposição dos fatos ( lugar impróprio, não acha?). Por mais que o
ADVOGADO esteja de folga, confundi-lo com Fiscal de Arrecadação, Delegado de
Polícia, Promotor de Justiça, Procurador do Estado ou Engenheiro sempre
ofende, ok?

8 – Não existe apenas um arrazoadozinho ou uma cartinha – qualquer
requerimento é uma defesa ou inicial e tem que ser pensado, estudado,
analisado e é claro, cobrado. Esses tópicos podem parecer inconcebíveis para
uma boa parte da população, mas servem para tornar a vida do ADVOGADO mais
suportável.

9 – Quanto ao uso do celular: celular é ferramenta de trabalho. Por
favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo
que você ainda duvide, o ADVOGADO pode estar fazendo algumas coisas que você
nem pensou que ele fazia, como dormir ou namorar, por exemplo. Nas situações
acima, o ADVOGADO pode atender? Sim, ele pode até atender desde que seja
pago por isso. É desnecessário dizer que nesses casos o atendimento tem
custo adicional, como em qualquer outro tipo de prestação de serviços. Por
favor, não pechinche.

Lembrete: cara feia na hora de assinar cheque não diminui o que você tem que
pagar. Se queria pagar menos, deveria ter procurado um escrevente ou
cartorário.

10 – Antes da consulta: por favor, marque hora. Se você pular essa etapa,
não fique andando de um lado para o outro na sala de espera e nem
pressionando a secretária. Ela não tem culpa da sua arrogância. Ah! E não
espere que o ADVOGADO vá te colocar no horário de quem já estava marcado só
porque vocês são amigos ou parentes. Se tiver fila, você vai ficar por
último. Só venha sem marcar se for caso de emergência, tipo: minha sogra foi
presa, meu filho foi para a Febem… A emergência não é a fissura em si, mas
sim a sua esposa buzinando na sua orelha. O ADVOGADO vai ser solidário a
você, com certeza. Agora, caso o chamado de emergência seja fora do
expediente normal de trabalho, o custo da consulta também será fora do
normal, ok?

11 – Repetir a mesma pergunta mais de 15 vezes não vai fazer o ADVOGADO
mudar a resposta. Por favor, repita no máximo três.

12 – Quando se diz que o horário de atendimento do período da manhã é até
12h, não significa que você pode chegar às 11h e 55m. Se você pretendia
cometer essa gafe, vá depois do almoço. O mesmo vale para a parte da tarde:
vá no dia seguinte.

13 – Na hora da consulta, basta que esteja presente o cliente. Você deve
responder somente às perguntas feitas pelo ADVOGADO. Por favor, deixe o
cunhado, os amigos do cunhado, seus vizinhos com seus respectivos filhos e,
sobretudo, a sogra nas casas deles. Não fique bombardeando o ADVOGADO com
milhares de perguntas durante o atendimento. Isso tira a concentração, além
de torrar a paciência.

ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o processo.

14 – Infelizmente para você, a cada consulta, o ADVOGADO poderá examinar
apenas um único caso. Lamentamos informar, mas seu outro problema/caso terá
que passar por nova consulta, que também deverá ser paga.

15 – O ADVOGADO não deixará de cobrar a consulta só porque você já gastou
demais no processo. Os ADVOGADOS não são os criadores do ditado ” O barato
sai caro “!!!!.

16 – ADVOGADO, como qualquer cidadão, precisa de dinheiro.

Por essa você não esperava, né? É surpreendente, mas ADVOGADO também paga
impostos, compra comida, precisa de combustível, roupas e sapatos, consome
Lexotan para conseguir relaxar, etc… E o fundamental: pode parecer
bizarro, mas os livros para atualização e aperfeiçoamento profissional, os
cursos, o operacional do escritório e a administração disso tudo não
acontecem gratuitamente. Impressionante, não? Entendeu agora o motivo dele
cobrar consulta?

17 – E, finalmente, ADVOGADO também é filho de DEUS e não filho disso que
você pensou…


A Árvore dos Amigos (Chico Xavier)

15/01/2009

Aos amigos, com muito carinho e os votos de um grande e iluminado 2009.

A Árvore dos Amigos (Chico Xavier)

Existem pessoas em nossas vidas
que nos deixam felizes pelo simples fato
de terem cruzado o nosso caminho.

Algumas percorrem ao nosso lado,
vendo muitas luas passarem,
mas outras apenas vemos entre um passo e outro.
A todas elas chamamos de amigo.

Há muitos tipos de amigos.
Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles.
O primeiro que nasce do broto
é o amigo pai e o amigo mãe.
Mostram o que é ter vida.

Depois vem o amigo irmão,
com quem dividimos o nosso espaço
para que ele floresça como nós.
Passamos a conhecer toda a família,
a qual respeitamos e desejamos o bem.

Mas o destino nos apresenta outros amigos,
os quais não sabíamos que
iam cruzar o nosso caminho.
Muitos desses são designados
amigos do peito, do coração.
São sinceros, são verdadeiros.
Sabem quando não estamos bem,
sabem o que nos faz feliz…

Às vezes, um desses amigos do peito
estala o nosso coração e então
é chamado de amigo namorado.
Esse dá brilho aos nossos olhos,
música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.

Mas também há aqueles amigos por um tempo,
talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora.
Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face,
durante o tempo que estamos por perto.

Falando em perto,
não podemos nos esquecer dos amigos distantes,
que ficam nas pontas dos galhos,
mas que quando o vento sopra,
aparecem novamente entre uma folha e outra.

O tempo passa, o verão se vai,
o outono se aproxima,
e perdemos algumas de nossas folhas.
Algumas nascem num outro verão
e outras permanecem por muitas estações.
Mas o que nos deixa mais feliz
é que as que caíram continuam por perto,
continuam aumentando a nossa raiz com alegria.
Lembranças de momentos maravilhosos
enquanto cruzavam o nosso caminho.

Desejo à você, folha da minha árvore,
Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade…
Hoje e Sempre…

Simplesmente porque:
Cada pessoa que passa em nossa vida é única.
Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.
Há os que levaram muito,
mas não há os que não deixaram nada.

Esta é a maior responsabilidade de nossa vida
e a prova evidente de que
duas almas não se encontram por acaso.


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